Depoimento

POR QUE ME CONVERTI AO JUDAÍSMO
Por Dra. Shirlei Weisz
Advogada, Membro da Associação Internacional de Advogados Judeus e escritora do Blog “Planos da Vida”

Eu me converti ao judaísmo pelos Ortodoxos Modernos em 2013, e por isso, quero que saibam que me converti por livre e espontânea vontade. Cheguei a ser casada com um judeu anos antes, me divorciei em 2006 e não me converti até então.

Quando me senti pronta de verdade, após muitos anos de estudo – estudei durante mais de 20 anos judaísmo, primeiro só, depois com ajuda de chachamim que se propuseram a me ensinar, inclusive quando ainda estava casada, e mesmo após o divórcio, eu procurei um rabino da linha Ortodoxa Moderna, do Beit Din do Reino Unido para providenciar minha conversão.

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Dra. Shirlei Weisz

Fiz a prova que todos devem fazer – e lhes digo que essa prova não é fácil, mesmo para iudim de berço – e passei na mesma com facilidade. Fiz a Micvê e a apostasia do nome judaico, que por razões cabalísticas, mantive o mesmo nome adotado em Israel, de quando fiz minha Aliah em 2006.

Bem, esse é o resumo da minha conversão, mas porque me converti? Minha família vem de berço Católico Apostólico Romano, e sinceramente, o fato de eu não acreditar do Messias cristão faz de mim alguém a ser “salvo” a todo tempo.

Acredito que muitos judeus de nascimento não se dão conta do tesouro que possuem nas mãos, ao receberem por linhagem materna a condição de judeus e de membros do “Povo de Livro” ou do “Povo escolhido por Deus”.
Quando digo “Povo escolhido” sempre me perguntam com ar zombeteiro: “escolhido para quê?” “Para sofrer durante todo tempo?”
Será que realmente, nós filhos de Avraham Avinu, somos destinados a sofrer durante todo tempo? Será que D-us, bendito seja Ele, realmente nos escolheu para sermos sofredores?
Não. Claro que não. Onde existe escuridão, existe Luz. Isso é básico na cabala. Ninguém discute. Quem não crê na religião, pode falar então na física: onde existe muito escuridão, basta acender um fósforo e “fiat lux” – a luz é feita. Não temos como discutir isso.
Jamais saberíamos que estaríamos no escuro se não conhecêssemos a luz. Isso é um fato. Portanto, nós Judeus sabemos que estamos mergulhados em algo maior, porque existe algo a nos cutucar sempre. A dor é a antítese do prazer, mas é também a lembrança de que ele- o prazer – existe.
O que eu quero dizer, e espero ser clara, é que fomos escolhidos para sermos portadores da Luz e essa Luz está condensada na Torah.

As Mitzvot – boas ações – da Torah são capazes de nos ligar ao Criador com tal força que já não é mais possível sentirmos as dores desse mundo.
Provas vivas disso foram vistas nos “progroms” e nos guetos e nos campos de concentração” nazista, onde mesmo diante da dor mais insuportável, muitos conseguiam ainda, tirar força dentro de si para manter a dignidade mesmo ante o caos, e incentivar a outros a manter acessa a chama da vida.
A prova de que o Criador lá estava é que cá estamos: estamos vivos. E somos ainda os guardiões dessa Luz maior, a ponto de 90% dos prêmios Nobel do mundo serem judeus. Coincidência? Eu não acredito em coincidência, acredito em D-us.

Os que nos perseguem pelejam contra nós e nos caluniam, e de seus lábios saem acusações eivadas de falsidade, e isso David Melech (Rei David) Já falava em seus Tehilim (Salmos), há centenas de anos atrás, e, entretanto, nossa ciência e invento sobrevive além de nós.

Exemplos de nosso engenho: Einstein, Freud, Harry Houdini, Steven Spielberg, Albert Sabin, Selman Abraham Waksman (descobriu a estreptomicina –valoroso tratamento da tuberculose) Siegried Marcus (criou o motor a gasolina), entre outros.
Por que digo isso? Porque quero adentrar no que me liga ao judaísmo hoje. Sou judia. 100% judia. Minha conversão é 100% válida, passou por todos os requisitos de acordo com a halachá, e não existe nenhum tribunal rabínico que possa contestá-la. Frequento qualquer sinagoga, seja Chabad, Ortodoxa Moderna ou Reformista, e nem pretendo pedir licença para isso. É meu direito de judia.

E como judia tenho algo muito especial, estou ligada ao Eterno desde o Pacto da Torá no Monte Sinai. Minha alma, como a de milhares de judeus, convertidos ou não, estavam lá, no momento em que Moshé recebeu as tábuas e fez o pacto. Recebeu a Torá e nos comprometemos a segui-la.
Isso, por si só faz de mim filha do pacto. Não de qualquer pacto: mas de um pacto maior com o Eterno. E por isso, não posso me desviar de seus preceitos, seja para esquerda ou para direita. O que não significa desrespeitar os demais.

A Torá nos obriga a amar o estrangeiro e a respeitá-lo. Quem prega diversamente disso, propagando o ódio – como já vi por aí, é um espírito infeliz, e está se desligando do pacto de Moshé.
A Torá nos ensina a buscar a paz e a concordia. Diz-se que um convertido que chegou perante Hillel (Shabbat 31) e lhe disse: “Ensina-me toda a Torá enquanto ficando sobre uma perna.” E ele respondeu: “O que quer que odeies, não faças ao teu amigo” (a tradução de “ama teu amigo como a ti mesmo”), e o resto é seu comentário; vai estudar.
E quando diz vai estudar, descobre que deve amar o estrangeiro, e a cabalah explica, palavras do Rav Laitman:
Torá, “Êxodo”, Mishpatim, 22:20: Não maltratem nem oprimam o estrangeiro, pois vocês foram estrangeiros na terra do Egito.

Mesmo quando mais e mais novos desejos em prol da recepção são descobertos em você que surgem na sua “terra” – ou seja, quando em seu estado corrigido, desejos surgem que você ainda não corrigiu – você não precisa varrê-los para longe, intencionalmente fazendo uma contração sobre eles e não os aceitando. Pelo contrário, é o oposto. Você precisa ajudá-los a se recuperar. Isto é o que é chamado de um “estrangeiro”.
Portanto, quem diz o contrário, e tenta dizer que um judeu deve viver “separado” dos demais, fere um princípio importante, e mais, perde uma oportunidade de crescimento espiritual.
Todos fomos estrangeiros, e precisamos desse salto de fé em nossas vidas, Quem crê e tem fé na Torá não precisa temer aqueles que querem – hoje isso ocorre muito com prosélitos de Jews for Jesus – nos desviar dos caminhos da sagrada Torá.

Devemos todos saber e ter certeza da razão do porquê somos judeus. Muitos não temos ciência do por quê da fé que apregoamos. Simplesmente somos.
Tememos dizer que somos judeus, com medo do antissemitismo ou de prosélitos de plantão.
Eu devo dizer, que depois de tudo que vivi, tenho certeza da minha fé. E não temo meus opositores. E tenho muitos em minha morada e fora dela.

Deixo esse relato de fé para todos os que buscam o D-us da Torá. Não é fácil. O caminho é difícil, pois nós judeus não somos proselitistas. Mas não desistam, nem queiram pular etapas. Mesmo os Beni Anussim, estudem a Torah e passem pelas fases necessárias, pois os anos de afastamento fizeram com que perdessem conhecimento da Torah, do hebraico e muitos deixaram de ser circuncisos, e o pacto de Abrahão é o pacto de D-us com o povo judeu e não pode ser deixado de lado.
Passem pelas fases necessárias, e verão que a maior recompensa é o prazer de alcançar o seu verdadeiro direito de ser judeu.

Shavuah Tov – Shirlei Weisz bat Sarah Imanu.

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